Uma sistematização sustentável reúne interesses entre os aspectos operacionais, agronômicos e ambientais.

No que diz respeito à performance operacional, observa-se o incremento dos rendimentos no plantio, no sistema de corte e transbordamentos e nos tratos culturais de soqueiras, que somados se traduzem em significativa redução de custos.

Em relação aos aspectos agronômicos, os ganhos diretos nascem da eliminação do pisoteio da linha, com consequência em maiores produtividades e maior longevidade da lavoura.

Finalmente, no aspecto ambiental, a boa infiltração da água nas fileiras da cultura, não compactadas, e a massa de palha na superfície do solo propiciam a conservação do solo e da água.

Em resumo, desde que realizada com inteligência no planejamento, a sistematização para o plantio e a colheita da cana-de-açúcar garante maior lucratividade, com sustentabilidade.

O novo cenário de intensa mecanização no setor canavieiro exige uma reengenharia na interpretação das variáveis relacionadas ao desenvolvimento das plantas, ou seja, uma revisão e reinterpretação de conceitos, especialmente dos que se referem ao preparo do solo, alinhamento das fileiras de cana e manejo e conservação dos solos e da água. O alinhamento adequado das fileiras de cana proporciona incremento de produtividade e longevidade, diluindo os investimentos realizados no plantio e impactando no incremento dos rendimentos operacionais do mesmo, nos tratos culturais e no corte e transbordo da matéria-prima produzida, implicando também na redução de custos, encorpando o conceito de sustentabilidade, uma vez que também diminui as taxas de escorrimento de água, reduzindo a erosão.

 A sistematização adequada para plantio e colheita mecanizados da cana-de-açúcar tem sido um grande desafio para os técnicos e especialistas do setor. Na figura disposta a seguir observa-se uma expressiva falta natural de paralelismo entre os terraços, construídos rigorosamente em nível, com parte expressiva da sulcação com pequena distância e ainda com curvaturas acentuadas das linhas de maior comprimento. Este cenário resulta em frequentes confrontos de sulcações, designados como matações, implicando no incremento da compactação por ocasião da colheita/transbordo e tratos culturais das soqueiras.

Vista geral de uma lavoura canavieira com grande variação nas distâncias horizontais entre terraços (falta natural de paralelismo), implicando em significativa quantidade de “linhas mortas” e de pequeno comprimento.

Detalhe do pequeno comprimento das linhas de plantio, com matação na sulcação paralela aos terraços e zonas de curvatura acentuada.

Entenda-se como sistematização adequada o melhor preparo do solo, com uniformização da profundidade e pelo menos um razoável nivelamento da superfície do terreno, ambas as ações possibilitando uma sulcação uniforme e perfeito paralelismo. Também é fundamental a adoção de linhas de plantio bastante alongadas e com o menor número possível de matações, reduzindo as manobras, o que é conseguido com o aumento do espaço horizontal entre os terraços, com a adoção de terraços passantes ou com a eliminação dos mesmos, adequando-se as opções à topografia e ao tipo de solo.

Os avanços tecnológicos relativos ao georreferenciamento das operações de sulcação para o plantio e corte/transbordo, associados ao tipo de preparo do solo e à adequada potência das máquinas, permitem, com precisão, a manutenção da qualidade obtida no entorno da linha, com concentração da compactação na entrelinha (figura disposta a seguir).

Imagem de soqueiras de cana-de-açúcar demonstrando a superfície deprimida das entrelinhas como resultado de uma adequada sistematização, perfeito paralelismo e controle de tráfego.

 

Atributos morfológicos e físico-hídricos são extremamente relevantes ao manejo e à conservação dos solos na exploração com a cultura canavieira, já que, no conjunto, implicam na velocidade de infiltração da água (condutividade hidráulica), na capacidade de armazenamento desta, na resistência dos agregados ao desmonte e na água disponível. Estes atributos, aliados às características químicas do horizonte diagnóstico de subsuperfície (eutrofismo, distrofismo, caráter álico, caráter ácrico), são decisivos para o posicionamento dos solos quanto à época e opção de preparo e à época de plantio e de colheita, considerando-se a erodibilidade dos solos e a erosividade das chuvas.

Acrescente-se, ainda, que o controle da entrada de águas externas e o posicionamento e a forma do sistema viário, com a máxima redução dos carreadores, cujo conjunto responde por 80 a 90% dos problemas com erosão, também devem estar aliados a práticas como a adoção de cobertura vegetal.

O aprimoramento da interpretação do conjunto destas variáveis para definição do planejamento das atividades canavieiras contribui demasiadamente para o êxito das novas opções de sistematização baseadas em novos conceitos conservacionistas, auxiliando na potencialização da sustentabilidade do plantio e da colheita mecanizados da cultura da cana-de-açúcar.

A seguir estão dispostas imagens de projetos de sistematização elaborados pela Equipe Athenas no município de Morro Agudo/SP (Fazenda Tradição) e no município de Avanhandava/SP (Usina Diana – Fazenda Pecuária).

Mapa de classes de declividade e pedológico fundamentais para a elaboração de projetos de sistematização em cana-de-açúcar.

Mapa de talhonamento prévio e mapa contendo o projeto atual de sistematização, onde constam as linhas de plantio, o posicionamento dos terraços de base larga, as linhas guias (ABs), os carreadores e os limites dos talhões.

Comparação entre intervalos de comprimento de sulcação na sistematização antiga (à esquerda) e na nova sistematização (à direita).

A adoção do TBLP com dimensões adequadas permite maior armazenamento de água e maior velocidade de sua infiltração, possibilitando melhor conservação do solo e da água, resultando em um alongamento dos tiros de plantio da cultura canavieira, eliminando as matações no interior dos talhões.

Projeto de sistematização na Fazenda Pecuária, em Avanhandava/SP

Comparação entre sistematizações na Fazenda Pecuária, Usina Diana, e dados do alongamento dos tiros de plantio e da economia do tempo de manobra com a colhedora.

Imagem aérea da Fazenda Pecuária – Usina Diana – Avanhandava/SP

Imagem aérea e imagem obtida no Google Earth, mostrando a sulcação reta e a sulcação em arco em área com declividade entre 2 e 6%.

 

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