Leguminosas: saiba o que as tornam tão diferentes das outras culturas.
Leguminosas: saiba o que as tornam tão diferentes das outras culturas. - 05/12/2019

As leguminosas estão presentes nas civilizações há séculos. O feijão e a lentilha já eram consumidos pelos povos pré-colombianos e asiáticos, que por sua vez associava a lentilha ao arroz.

Sendo ricas em nutrientes, as leguminosas fazem toda a diferença na rotação de culturas, trazendo benefícios ao agricultor.

Mas o que as tornam tão diferentes das outras culturas?

Basicamente, as leguminosas têm a função de restituir os nutrientes no solo que foram esgotados por culturas anteriores.

Esse “esgotamento” se dá durante o cultivo de monoculturas ou sucessão de culturas que acabam utilizando apenas os nutrientes necessários para aquela cultura em específico.

Quando usadas em rotação de culturas, as leguminosas diferem das outras culturas por evitarem o desenvolvimento de pragas e doenças pela alternância das espécies de plantas hospedeiras.

Adubação verde com leguminosas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária finalizou, em janeiro deste ano, um projeto para comprovar a ação das leguminosas como fonte de carbono e nitrogênio durante o cultivo de hortaliças.

Esta prática é chamada de adubação verde e consiste no uso de plantas que produzem uma grande quantidade de biomassa.

A biomassa gerada pela leguminosa é rica em nitrogênio, que devolve a estrutura e a qualidade do solo.

Os benefícios da adubação com leguminosas vão desde a redução do uso de fertilizantes nitrogenados a maior produção e diversidade de cultivos, impactando diretamente na renda do agricultor.

A prática pode ser realizada durante todo o ano ou em curtos períodos. Podem ser usadas crotalárias, feijão-de-porco, mucunas, amendoim forrageiro, guandu, cudzu, calopogônio e galáxia.

A técnica da adubação verde é eficaz tanto no pré-plantio, rotação de culturas e em consórcios e devem ser combinadas durante o plantio de berinjelas, brócolis, batata-doce, milho, quiabo e repolho.

Leguminosas também são eficazes para o cultivo do pasto. A consorciação com capins traz uma melhor qualidade do solo, recuperando áreas degradadas e impactando diretamente no ganho do peso animal.

Em seu artigo para Beff Point, Thea Tavares revela que o benefício da prática pode ser melhor observado em solo com baixa fertilidade, garantindo uma boa quantidade de proteínas e minerais da planta, que são consumidos pelo gado.

Prática da rotação de culturas com leguminosas.

Para o melhor aproveitamento da capacidade produtiva do solo, o agricultor deve considerar o uso de plantas comerciais para que a geração de renda seja aproveitada.

Associar espécies de rápido desenvolvimento com as que produzem boa quantidade de biomassa também deve ser considerado durante o consórcio de culturas comerciais ou isoladas.

Durante a cultura sucessora, é importante que o agricultor faça uso de sistemas radiculares diferentes para que cada espécie possa deixar um efeito positivo para o solo.

Osmar Conte, doutor em Ciências do solo, chama atenção para essa diversificação, que deve ser feita respeitando as condições de cada região produtora e a disponibilidades das sementes.

No Brasil, as espécies de valor comercial que podem ser usadas pelo trabalhador rural são: o milheto, o girassol, aveia-branca e preta, tremoço e várias opções de espécie para pastagens.

As leguminosas ainda podem controlar os efeitos da erosão do solo, garantindo uma terra fértil por mais tempo respeitando o meio ambiente.

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