Queimadas: quais as consequências para o solo?
Queimadas: quais as consequências para o solo? - 06/09/2019

A prática das queimadas como alternativa de limpeza da área e preparação da terra para plantio não é novidade entre os produtores. Só que, apesar de ser um recurso fácil e de baixo custo, pesquisas da Embrapa já provaram que o fogo pode comprometer a qualidade e a produtividade do solo em longo prazo.

Isso sem contar os riscos que as queimadas representam à saúde e ao meio ambiente. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os focos de incêndio aumentaram em mais de 80% este ano, em comparação a 2018, em todo o país. Pelos menos 60 unidades de conservação já foram atingidas pelo fogo. 

E nesse período de altas temperaturas e baixa umidade, a prática se torna ainda mais arriscada pela facilidade e rapidez com que as chamas se alastram.

Os prejuízos causados pelo fogo no solo

Mesmo quando controladas e autorizadas pelos órgãos ambientais, as queimadas recorrentes podem danificar a terra e, com isso, aumentar os custos de produção. Veja alguns dos motivos:

•    Degradação: o fogo provoca alterações físicas, químicas e biológicas no solo, eliminando nutrientes, como nitrogênio, potássio e o fósforo. Elementos essenciais para o desenvolvimento da planta;
•    Compactação: as queimadas contribuem para a redução da umidade e compactação da terra, que fica suscetível a processos erosivos e outras formas de degradação;
•    Eliminação da biodiversidade: o fogo destrói a biodiversidade do micro, meso e macrofauna, que é importante para o controle de pragas e doenças, além de preservar a fertilidade da terra.

Além dos danos ao solo, as queimadas também trazem outras sérias consequências ao meio ambiente. Entre elas, a liberação de gases de efeito estufa, poluição de nascentes, rios e águas subterrâneas e destruição de habitats naturais.

Quando as queimadas são permitidas?

Quando tem como objetivo eliminar pragas e doenças que devastaram uma lavoura ou, desde que fora do período de estiagem, estejam relacionadas a atividades de criação ou plantio. Mas é preciso que sejam rigorosamente controladas e previamente autorizadas pelos órgãos ambientais. Sem a devida licença, o produtor comete crime ambiental.

Diante do aumento significativo das queimadas esse ano, conforme dados apurados pelo INPE e já mencionados aqui, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que proibiu as queimadas, mesmo passíveis de autorização, por um período de 60 dias. O documento foi assinado no dia 29 de agosto.

Dois dias depois, a medida foi alterada e passou a permitir queimadas fora da Amazônia Legal, desde que sejam imprescindíveis para a colheita e que tenham as devidas autorizações.

Alternativas sustentáveis

Com tantos malefícios causados pelas queimadas, quais as atividades mais indicadas para manutenção do solo? Pesquisadores da Embrapa orientam sobre a existência de alternativas sustentáveis que, além de preservar o ambiente, ainda geram economia e rentabilidade aos produtores. Acompanhe algumas:

•    Sistemas agroflorestais: sistemas produtivos em que árvores exóticas ou nativas são consorciadas com culturas agrícolas. Esses sistemas conciliam preservação ambiental com produção de alimentos e, com isso, conservam o solo.
•    Sistema plantio direto: consiste no plantio sem a preparação convencional da terra, que é poupada do impacto das técnicas e maquinários agrícolas.
•    Trituração da capoeira: a capoeira, uma vegetação secundária, é triturada por um trator e não queimada, usada como cobertura vegetal para o solo.
•    Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): estratégia de produção que integra, em uma mesma área, sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais. Dessa forma, é possível diversificar a produção e aumentar a produtividade sem a necessidade de explorar novas áreas.

Produzir com sustentabilidade é a garantia de preservação dos recursos, de modo que todos sejam beneficiados, pensando não só nas atuais, como também nas futuras gerações! 

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